



Biografias de Fadistas, Músicos e Poetas

Fado Calisto
Morena aí do Canto
Letra: Francisco Radamanto
Música: Miguel Ramos
Intérprete: Natalino Duarte
Oh morena aí do canto
Escute, não seja má
Você agrada-me tanto
Que eu sinto apenas que canto
Para o canto onde você está (bis)
Cá deste canto onde eu canto
Só vejo esse canto seu
Você dá-lhe um tal encanto
Que eu gostava que esse canto
Cá da casa fosse meu (bis)
Já me começam a olhar
Seus olhos que brilham tanto
Estou vaidoso a pensar
Que você está a gostar
Muito do fado que eu canto (bis)
Em acabando, portanto
Vou para o seu canto e depois
Se quiser nunca mais canto
E arranjo outro canto
Que seja só de nós dois (bis)
Mas enquanto não consigo
O canto dê-me carinho
Não se importe, não há perigo
Se quiser venha comigo
Brincar aos cinco cantinhos (bis)
Pequena biografia do intérprete:
Natalino Duarte
Natalino Duarte nasceu em Lisboa, no ano de 1935. O seu talento de intérprete
revelou-se muito cedo e, com apenas 9 anos, apresentou-se em público pela
primeira vez.
Passados alguns anos começou a aparecer em apresentações públicas de fado,
mas desta vez integrado em cegadas, peças de teatro com carácter amador que
decorriam maioritariamente na rua e onde o fado era uma presença regular.
Dada a sua tendência natural para cantar fado, Natalino Duarte inscreveu-se para
participar no concurso “Primavera do Fado”, em 1957. Neste concurso, organizado
pelo poeta Francisco Radamanto e cujas eliminatórias decorreram no antigo Café
Luso, o fadista conquistou o primeiro lugar das classificações, tornando-se nesta
data fadista profissional.
O seu percurso de carreira tem início precisamente com a contratação para o elenco permanente do Café Luso, local onde permanecerá por largos anos.
Natalino Duarte foi contratado por quase todas as casas típicas de Lisboa. Por exemplo na casa de Argentina Santos, a Parreirinha de Alfama, esteve durante 10 anos. Posteriormente assumiu o cargo de diretor artístico das casas Pico do Areeiro, Solar da Marina e Mil e Um, acumulando a interpretação de fados com a seleção de artistas para os respetivos elencos.
A partir da década de 1980 Natalino Duarte tomou a seu cargo nova direção artística, desta feita no Páteo Alfacinha, espaço a que se manteve dedicado quase até à data do seu falecimento.
Apesar da relação de Natalino Duarte com a televisão se ter iniciado na década de 60, integrando diversos programas e chegando a atuar em parceria com Maria Teresa de Noronha, será através do Páteo Alfacinha que o fadista ganhará alguma visibilidade pública, pela gravação de inúmeros programas da RTP nesse espaço.
A sua longa carreira desenvolveu-se sobretudo no âmbito das atuações nas casas de fado de Lisboa mas, ainda assim, Natalino Duarte efetuou algumas digressões de norte a sul de Portugal e, também, deslocações ao estrangeiro onde atuou para comunidades emigrantes dos Estados Unidos, Canadá, Holanda e Espanha.
Durante a década de 60, Natalino Duarte gravou discos para as editoras Alvorada e Marfer. De um conjunto de 14 EPs editados, a Movieplay selecionou 18 dos seus maiores êxitos e reeditou-os em CD. Este disco, lançado em 1998 e integrado na coleção “Fados do Fado”, vem homenagear o fadista e repor junto do grande público a oportunidade de (re)conhecer alguns dos temas de maior sucesso do fadista, casos da “Lenda da Fonte”, de autoria de Domingos da Silva, da “Morena lá do canto”, de Francisco Radamanto e Miguel Ramos, ou de “Eu gosto daquela feia”, de Albino Paiva e Júlio Proença.
A 30 de Julho de 1999, a APAF (Associação Portuguesa dos Amigos do Fado) organizou um jantar de homenagem a Natalino Duarte, no Páteo Alfacinha. Marcaram presença os fadistas Carlos do Carmo, Argentina Santos, Camané, Anita Guerreiro, Fernando Maurício, Ada de Castro, António Rocha, Lenita Gentil, Jorge Fernando e Maria da Fé, entre outros.
Natalino Duarte faleceu em Fevereiro de 2002 vítima de doença prolongada. Embora não tenha deixado muitos registos discográficos, o fadista integra-se numa geração que fez longa carreira no espaço das casas de fado de Lisboa, um ambiente naturalmente privilegiado para a interpretação do Fado.
Seleção de fontes de informação:
Folheto de homenagem a Natalino Duarte (1999), organizado pela APAF no Páteo Alfacinha.
Dados biográficos fornecidos pelo Dr. Luís de Castro.
Última atualização: Março/2009

Pequena biografia do autor:
Miguel Ramos
Miguel Ramos, nasceu em Lisboa em 1901, onde veio a falecer em 1973.
É o irmão mais jovem do saudoso guitarrista e compositor, Casimiro Ramos.
Violista de fado, também foi ( como o seu irmão ), compositor de fados com
Fado Alberto, Fado Margarida, Fado Helena ,Fado Oliveira ou da Freira, etc.
A observar que o Fado Alberto, foi e ainda é, um fado muito gravado, existindo
mais de 40 gravações (em suporte CD ) deste fado.
Alguns dos seus fados, foram compostos em parceria com o seu irmão, sendo
a autoria de alguns desses fados atribuíram, por vezes, ora a um, ora a outro
dos irmãos "Pinóia".
Miguel Ramos, foi considerado um artista de referência, e era admirado pelos fadistas, violistas e guitarristas, entre os quais Martinho d'Assunção Júnior e José Nunes.
Tal como o seu irmão, acompanhou grandes vozes do Fado, em casas de fado, espetáculos e na gravação de fonogramas.
Tocava com unhas postiças. O seu estilo interpretativo caracterizava-se pela clareza na articulação das notas, a ressonância dos bordões e acordes, tanto no acompanhamento de fadistas, como de instrumentais, adaptando o percurso harmónico ao gosto de cada fadista; nos instrumentais, utilizava um acompanhamento harmónico mais enriquecido, notavelmente articulado com as guitarras, contra cantos, e a percussão ( utilizando a caixa de ressonância da viola ).
Durante muitos anos, foi tocador privativo do Restaurante “A Tipóia”, no Bairro Alto.
Seleção de fontes de informação:
http://www.g-sat.net/todos-os-fados-de-a-a-z-historia-2128/fado-alberto-208297.html
Última atualização: Novembro/2008


