



Biografias de Fadistas, Músicos e Poetas

Fado Chic
Fado Chic
Autor da Letra: Luis da Silva Gouveia
Autor da Música: Raúl Ferrão/ Raúl Portela
Intérprete: Fernando Farinha
Quando o fado era cantado
Pelas tabernas de Alfama
Ninguém diria que o fado
Viesse a ter boa fama
Era a canção da bebedeira
e do calão, da rufiagem
e Capelão, e dos fadistas de samarra
E mal diria a Madragoa
e a Mouraria, que em Lisboa
ainda haveria assim tal gosto a guitarra
Adeus tardes de touradas
Com guitarras e cantigas
Adeus noites bem passadas
Com bom vinho e raparigas
Hoje os fadistas são tratados
por artistas e aclamados
nas Revistas com ovações delirantes
Vestem do bom e por ser chique
e ser do tom, já vão à tarde
ao Odeon se as matinés são elegantes
Hoje o fado já não tem
A rufiagem por tema
Poliu-se, já é alguém
E até já vai ao cinema
O fado agora é pedido
a toda a hora é ouvido
p'lo mundo fora com alegria e agrado
e há-de chegar a Hollywood
e ter lugar pois não se ilude
quem pensar que há-de ser grande o nosso fado
Pequena biografia do intérprete:
Fernando Farinha
Fernando Tavares Farinha nasceu no Barreiro a 20 de Dezembro de 1928, embora no
seu Bilhete de Identidade seja indicada a data de 5 de maio de 1929. Quando tinha
apenas 8anos a família muda de residência para o bairro da Bica, em Lisboa.
Em 1937, com apenas nove anos de idade começou a cantar o Fado e participou em
representação do bairro da Bica num concurso inter- bairros, o que lhe valeu o subtítulo
que ficou por toda a sua vida - o " Miúdo da Bica ". Fernando Farinha começou assim a
cantar nesse concurso realizado na verbena de Santa Catarina de que era proprietário
José Miguel.
Quando tinha 11 anos o seu pai faleceu e, com uma licença especial e ajuda do empresário José Miguel, Fernando Farinha tornou-se fadista profissional, contribuindo com os seus cachets para o sustento familiar.
Desta forma foi contratado pelo mesmo empresário para cantar nas verbenas do Alto do Pina, Ajuda, Santo Amaro e outras, a que se segue a sua primeira integração num elenco de casa de Fado, no Café Mondego, situado na Rua da Barroca.
O seu primeiro disco foi gravado em 1940 e incluía os temas: “Meu Destino” e “Sempre Linda”. No ano seguinte, 1941, fará a sua estreia na revista, participando na revista “Boa vai ela”, no Teatro Maria Vitória. Voltará apenas a atuar mais uma vez em teatro de revista, muitos anos mais tarde, em 1963, na peça “Sal e Pimenta”.
Após a passagem pelos palcos e o lançamento do seu primeiro disco, Fernando Farinha volta a apresentar-se no circuito de casas típicas, passando pelo “Retiro da Severa”, “Solar da Alegria”, “Café Latino” ou “Café Luso”, entre outros espaços.
Fernando Farinha faz a sua primeira digressão ao Brasil com 23 anos. Permanece quatro meses nesse país, contratado para atuar na “Taverna Lusitana”, na Rádio Record e na TV Tupi de São Paulo. Quando regressa a Portugal integra o elenco da “Adega Mesquita”, onde permanecerá a partir de 1951 por um período de onze anos.
Em 1960 ganha o concurso "A Voz Mais Portuguesa de Portugal " e, no mesmo ano, festeja as suas Bodas de Prata artísticas, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e depois no Palácio de Cristal, no Porto.
Em 1961 é-lhe atribuída a 2º classificação no concurso Rei da Rádio, no ano seguinte recebe a Taça Rei da Rádio de 1º classificado e, no ano de 1963, o Óscar da Casa da Imprensa para o melhor fadista.
Fernando Farinha filmará a sua história na película "O Miúdo da Bica ", num filme realizado por Constantino Esteves que se estreia no Éden em Julho de 1963. No ano seguinte, 1964, o mesmo realizador apresentará o filme "A Última Pega", com Leónia Mendes, Fernando farinha, Júlia Buisel, Cunha Marques e Vicente da Câmara.
Em 1965 é convidado a atuar em Paris, para os emigrantes portugueses e no mesmo ano deslocou-se ao Canadá e Estados Unidos da América onde voltou posteriormente devido ao êxito ali alcançado. Nas décadas seguintes será sobretudo para as comunidades emigrantes da Europa e da América do Norte que Fernando Farinha atuará, fazendo espetáculos na Bélgica, França, Alemanha, Estados Unidos e Canadá.
Para além de ter popularizado temas como “O Miúdo da Bica” ou “Fado das Trincheiras”, o fadista foi também autor e compositor de muitos temas, os quais estão registados na Sociedade Portuguesa de Autores.
Alguns temas da sua autoria que interpretou com grande sucesso foram o “Belos Tempos”, “Eu ontem e hoje”, “Um Fado a Marceneiro”, “Estações de Amor” ou “Cinco Bairros”. Mas muitos desses temas que criou foram interpretados por outros intérpretes, como é o caso de “O teu olhar”, interpretado por Carlos Ramos; “Lugar vazio”, cantado por Tony de Matos e Hermínia Silva; “Fado Rambóia” e “Já não tens coração”, popularizados por Manuel de Almeida; ou ainda “Isto é Fado”, cantado por Fernanda Maria, apenas para citar alguns exemplos.
Fernando Farinha gostava também de fazer caricaturas dos seus colegas e companheiros de profissão, aos quais oferecia muitas vezes os resultados desta sua arte.
O fadista faleceu a 12 de Fevereiro de 1988.
Observações:
A Câmara Municipal de Lisboa, no intuito de perpetuar a memória do fadista, atribuiu o seu nome a um arruamento da Freguesia de Marvila.
Seleção de fontes de informação:
http://www.museudofado.pt/personalidades/detalhes.php?id=221
Última atualização: Abril/2008

Pequena biografia do compositor: Raul Ferrão
(Lisboa, Santos-o-Velho 25 de outubro, 1890 —30 de abril, 1953)
Foi um militar e compositor português.
Frequentou o Colégio Militar entre 1901 e 1907. Chegou a tenente-coronel do
Exército e foi professor na Academia Militar. A música era um hobby.
Escreveu música para centenas de peças de teatro e revistas e para alguns
dos mais aclamados filmes portugueses. A ele se deve o maior êxito mundial
da música portuguesa: "Coimbra", também conhecida como "Avril au Portugal"
e "April in Portugal", celebrizada em todo o mundo por Amália Rodrigues, Coimbra
Cochicho, As Camélias, Burrié, Velha Tendinha, Rosa Enjeitada, Ribatejo.
Escreveu ainda canções para os filmes A Canção de Lisboa, Maria Papoila, A Aldeia da Roupa Branca e A Varanda dos Rouxinóis; e escreveu música para operetas como A Invasão, Ribatejo, Nazaré, Colete Encarnado ou Senhora da Atalaia.
Foi o pai de Ruy Ferrão, realizador e produtor televisivo. O seu nome perdura na toponímia portuguesa, em nomes de arruamentos.
Seleção de fontes de informação:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Ferr%C3%A3o
Última atualização: Novembro/2015


