



Biografias de Fadistas, Músicos e Poetas


Fernando Macedo de Freitas
Pequena biografia do autor:
Fernando Freitas, nasceu em Lisboa, na freguesia de Santa Isabel, em 1913,
tendo falecido em 1987.
Com apenas 9 anos de idade, começou a trabalhar no Coliseu dos Recreios
numa “trupe” de palhaços, aprendendo a tocar violino, bandolim, banjo e
cavaquinho; aos 12 anos seu pai ensinou-o a tocar guitarra e aos 14 anos já
entrava em cegadas.
Aos 16 anos já era bem conhecido o seu dedilhar de guitarra, e é por
iniciativa do seu amigo, companheiro de bairro e parceiro nas cegadas,
Alfredo Marceneiro, que o tratava carinhosamente por "Freitinhas" que o
apresenta no Solar da Alegria, onde fica contratado.
Em 1935, acompanhou Maria Teresa de Noronha, nas primeiras emissões de Fado na Emissora Nacional.
Ainda em 1935, desloca-se a França para acompanhar Maria Albertina e Tomás Alcaide.
Em 1944 e 1946, atua no Brasil com Amália Rodrigues, país onde permanece para casar com uma brasileira, filha de portugueses, que também cantava Fado, de nome Maria Girão. Fernando Freitas, percorre o Brasil atuando em espetáculos, onde se mantém até 1964.
De regresso a Portugal, acompanha Fernando Farinha durante um longo período, nomeadamente em digressões aos Estados Unidos e Canadá.
Toca todas as noites no “O Faia” de Lucília do Carmo, e mais tarde na Adega Machado.
Nos anos 70, perde a visão na sequência de uma deslocação na retina, sem contudo deixar de tocar.
Fernando Freitas deixou além deste fado, algumas das mais bonitas composições para Fado tradicional, como o Fado Pena e o Fado das Sardinheiras, em exclusivo para Amália Rodrigues a pedido desta, para quem aliás já tinha composto Ronda dos Bairros, que foi o primeiro tema escrito expressamente para a fadista, nos seus primeiros tempos do Solar da Alegria.
Deixa um filho, o cantor Fernando Girão, que não enjeitando o Fado, tem outros horizontes musicais.
Origem: Lisboa no Guiness.
Fernando de Freitas, de seu nome completo Fernando Macedo do Freitas, nasceu em Lisboa, na freguesia de Santa Isabel, em 1 de Setembro de 1913.
Apenas com 9 anos começou a trabalhar no Coliseu dos Recreios em "troupes" de palhaços excêntricos, parodistas musicais, tocando violino e depois também bandolim, banjo e cavaquinho. Aos 12 anos aprendeu com o pai a tocar na guitarra o Fado Corrido, participando apenas com 14 anos em cegadas de Carnaval, então muito populares na capital.
Fernando de Freitas estreou-se como guitarrista em 1929, com apenas 16 anos, no Solar da Alegria, pela mão de Alfredo Marceneiro. Entretanto, dedicou-se a aprender variações na guitarra por influência de Armando Machado, enquanto ia tocando em algumas casas de jogos clandestinas, entre elas O Peras, na Rua de S. José, enquanto participa, também, em cegadas carnavalescas.
A partir deste momento, a par com a participação nas cegadas carnavalescas, passou a dedicar-se à guitarra, actuando sucessivamente em vários cafés e retiros, e acompanhando vozes como Ercília Costa, Adelina Fernandes, Maria Albertina, Teresa Gomes e Zulmira Miranda (também actrizes de revista).
Actuou no Café Chic de Belém e na Cervejaria Vitória da Rua de São Paulo, no Café Mondego e no Café Luso na Travessa da Queimada. Em 1935, com o advento da Emissora Nacional, acompanhou com o violista Abel Negrão, Maria Teresa de Noronha, nas suas actuações radiofónicas.
Em 1937 actuou em Paris com Armando Machado e em 1944 foi ao Brasil acompanhar Amália Rodrigues no Casino de Copacabana.
Seguiu de muito perto a fase inicial da carreira de Amália Rodrigues para quem compôs dois dos seus maiores êxitos: "Ronda dos Bairros" (com letra em alexandrinos de Francisco Santos) e "Sardinheiras" (com letra de Linhares Barbosa).
Na Guitarra de Portugal, de 15 Junho de 1945 pode ler-se:"À hora de fechar o nosso jornal deve estar a tomar o "Clipper" que o conduzirá ao Rio de Janeiro, o virtuoso da guitarra Fernando Freitas que vai expressamente acompanhar Amália Rodrigues, que já se encontra nesse país…”. Em 1951 retoma ao Brasil, por sua própria iniciativa, aí permanecendo 14 anos.
Em 1965 regressa a Portugal, actuando durante alguns anos na Adega Machado, partindo depois para Espanha onde fica três anos a acompanhar Maria Dolores Pradera (a quem chamavam a Amália espanhola) que também cantava o fado. Acompanhou Fernando Farinha na digressão que este fez aos Estados Unidos da América e Canadá, em 1966, tendo também acompanhado este artista à Argentina. Compôs ainda, entre outras músicas, as de "A Canção da Neve" (criação de Berta Cardoso), "Fado Napoleão" (criação de Frutuoso França), "Trem Desmantelado" (com letra de Carlos Conde),"Fado Barroca" e "Fado das Romarias".
A partir de 1971, Fernando Freitas ingressa no elenco permanente do Restaurante O Faia, ao lado de Ilídio dos Santos "Very Nice", Martinho d'Assunção e Orlando Silva, aí permanecendo 16 anos (os últimos já praticamente cego), acompanhando entre outros, Lucília do Carmo e Carlos do Carmo.
Foi casado com a fadista Maria Girão. É pai do cantor e compositor Fernando Girão, que também tem realizado trabalhos com incursões na área do fado.
Fernando Freitas morreu em Lisboa, em 18 de Março de 1988.
Selecção de fontes de informação:
“Guitarra de Portugal” 15 de Junho de 1945
Cabral, Pedro Caldeira (1999) “A Guitarra de Portugal”, Col. “Um Século de Fado”, Lisboa, Ediclube, pág. 245.
http://www.museudofado.pt/personalidades/detalhes.php?id=300&sep=0
Título: Fado do Amanhã
Intérprete: Maria Armanda
Letra: Vasco de Lima Couto
Música: Fernando Macedo de Freitas
Guitarra: António Chainho e Armindo Fernandes
Viola: José Maria Nóbrega
Viola-baixo: Pedro Nóbrega
Data da 1ª edição 1975
Quando todos no cais, com lágrimas de sol,
Acenarem os lenços, como pontos esguios,
E tu ansiosamente, procurares os meus olhos,
Hás-de encontrá-los secos, abismados e frios! (bis)
Verás neles o luar, numa estrada da vida,
Às cinco da manhã, de um Outono qualquer...!
E verás os soluços, que a brandura prendeu,
E tudo o que fui eu, para o tempo crescer! (bis)
Vingarei o silêncio, o mesmo silêncio,
Deixando a minha dor, a um canto da amurada,
Pois, como tu traí, de começar de novo,
A alegria que um dia, partiu de madrugada! (bis)
Noquinhas
Vasco de Lima Couto
"Eu sou um poeta. Maldito, mas poeta. Sou, também, actor. Incómodo,
mas actor. Como actor, empresto. Como poeta, dou.
Entre estas duas posições, vivo. Não represento nenhuma escola, porque não
preciso de falar ao tempo do meu povo. Sou o tempo do meu povo! Se algum
mérito possuo, é o de não ser intelectual partido, para intelectuais de partido.
Canto como sei e sei como sinto. Não dou respostas convenientes, porque -
felizmente, sou inconveniente. Entre o homem chateado e a criança maravilhada,
rasgo o tempo que possuo. O mais que queiram ver, em mim, é estrume de animal
que mastiga a comida que não merece e que o povo paga."
Vasco de Lima Couto reflectia sobre as coisas do seu tempo. Pensava sobre a
vida cultural e social do seu país, principalmente quando se embrenhava nelas.
Em 1972, fala deste modo sobre a sua vida de actor:
"O Teatro está cheio de espertos. Tanto lhes faz que seja assim como assado, e como isso a que chamam teatro lhes facilita os dias, eles vão de peça em peça, sem talento e sem religião. Depois, os que comandam esta anarquia da inteligência, que finge não querer actores porque lhes têm de pagar de acordo com a força do seu trabalho; preferem contratar amadores, com jeito ou não, que, ingénuos e incipientes, podem ser enganados.
E o resultado está à vista. Há peças que caem redondas porque não foram vestidas, só foram cobertas. (...) O actor, hoje não pode ser só o hábil senhor que se movimenta e inflexiona. Tem que ser, por dedução, a inteligência e a cultura de quem espera e a angústia colectiva de quem procura. A experiência só por si não chega. O actor tem que estar atento aos movimentos sociais da sua época mesmo quando pelas circunstâncias anormais da vida tem de transigir.
Mas não deverá nunca transigir servindo-se da benevolência idiota dos mecenas, porque esses - como dizia Afonso Lopes Vieira - entram na poesia como os camelos no jardim. Ninguém proíbe ninguém de ser inteligente!"
É extraordinária a actualidade destas palavras no nosso panorama teatral. Infelizmente, mudou apenas uma coisa. Os mediocres, incipientes e amadores, continuam a encher os palcos dos nossos teatros (e, já agora, das nossas televisões), mas a receberem tanto ou mais de cachet, quanto os actores de qualidades comprovadas.
Nascido no Porto a 26 de Novembro de 1924, vem a falecer em Lisboa no dia 10 de Março de 1980. Estreou-se nos palcos em 27 de Março de 1947 "empurrado" por Alves da Cunha. Percorreu todo o país em digressão falando de poetas e de teatro até que, em 13 de Março de 1951, ingressa na Companhia de Amélia Rey Colaço - Robles Monteiro, para o elenco da peça "La Niña Boba", de Lope de Vega, que seria posta em cena em 7 de Abril de 1953, com Gina Santos como "menina tonta", Helena Féliz, Álvaro Benamor e Maria Albergaria.
Lima Couto representou em mais de 40 peças ao longo de toda a sua carreira, nunca acusando qualquer atitude de concessão ao "status" ou amolecimento das linhas mestras da sua personalidade criativa e, por vezes, revolucionária.
Mas, como refere João Aguiar no Diário de Noticias de dia 14 de Março de 1980, "será exagerado dizer que Vasco de Lima Couto foi 'actor por acréscimo'. Algumas das suas interpretações não serão esquecidas tão cedo".
Por volta de 1952, Lima Couto volta ao Porto para se juntar ao Teatro Experimental, onde permanece cerca de oito anos. Aí, representou peças tão importantes como: "A Morte de um Caixeiro Viajante", de Miller; "As Guerras de Alecrim e Manjerona", de António José da Silva; "Volpone", de Ben Johnson; "Edda Gabler", de Ibsen; "Ratos e Homens", de Steinbeck; "Tio Vania", de Tchecov, entre outras.
Em 1960 volta para a capital portuguesa onde representará a figura de D. Afonso IV na peça "Castro", de António Ferreira. "Teve enorme êxito, o qual, segundo as próprias palavras, se deve à direcção de Paulo Renato".
Durante dois anos trabalhou para o Teatro da Câmara - Estufa Fria, sob a direcção de Pedro Bom, mas considerava o tipo repertório lá representado como "chato e despido de qualquer realidade".
O grande sucesso vem com o "Mercador de Veneza", de Shakespeare, onde Vasco de Lima Couto representava o papel de Lancelote Gobbo. "O êxito foi tal que, ao sair de cena, num dos melhores momentos da peça, o público interrompia a representação com uma salva de palmas".
Em 1966 vai para o Teatro da Trindade, para representar "Todos eram meus filhos", de Miller. A peça vai em tournée pelo pais inteiro.
Um ano depois vai para o TEL (Teatro Experimental de Lisboa) onde representa, basicamente, peças de Luzia Maria Martins.
Mas a situação do TEL era desastrosa. Vasco de Lima Couto viu-se sem dinheiro, sendo "obrigado" a ir trabalhar para a televisão, em peças que em nada lhe interessavam. Chega mesmo a aceitar o convite de Vasco Morgado para representar o "Vison Voador", no Villaret.
Em 1971 concorre ao "Festival da Canção" com o célebre e polémico "Zé Brasileiro Português de Braga".
Conhece finalmente África, por quem se apaixona. Em Angola, inicia uma série de programas na Emissora Oficial, como colaborador e assistente literário. Era o programa "Cantar de Amigo", dedicado à divulgação da poesia portuguesa. Aí, "muitos dos que sistematicamente o ignoravam na crítica, na presença e na divulgação, eram citados sem qualquer ressentimento".
Trava conhecimentos com o jornalista João Aguiar, sub-chefe de redacção do Diário Falado e produtor radiofónico. Este, leva Lima Couto a interpretar na rádio uma adaptação do romance "Um Cântico para Leibowitz", à altura com o nome, "A crónica de S. Leibowitz". "O original gravado, um dos raros documentos que se salvaram depois da independência, é a amostra mais que convincente do grande talento e capacidade de um actor".
Nos inicios de 1974, inexplicavelmente, Vasco de Lima Couto regressa a Portugal.
Com grande mágoa encontra António Pedro afastado do TEP. Vai para a Cornucópia, que depressa abandona para se fixar uns meses em Paris. Ao regressar, ingressa na Companhia Maria Matos para representar o "Encoberto", de Natália Correia.
No entanto surge uma vida nocturna intensa, cada vez mais ligado ao fado. No "Painel do Fado", na "Taberna de S. Jorge" (no Porto) ou na "Taberna do Embuçado", Vasco de Lima Couto escreve, lê e ouve cantar a sua poesia. Grandes nomes da canção (ligeira e fado) cantam as suas palavras: Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Simone de Oliveira, entre outras.
"No principio e no fim de tudo, estava a poesia. E à medida que o tempo foi passando, o "resto" foi ficando pelo caminho, como veste que se usa bem, mas que depois se larga - nem sempre por vontade própria, mas sempre com intima tranquilidade. Lima Couto sabia que, através do tumulto emocional, ideológico e politico, ele haveria de desentender-se com o "establishment", pois isso acontecera antes, acontecera sempre; e, como antes, como sempre, o "establishment" não lhe perdoaria e fechar-lhe-ia as portas. Mas sabia também que havia duas coisas que nunca ninguém lhe poderia tirar: Uma, a liberdade que lhe advinha de não ter nada para perder; a outra, a sua condição e essência de poeta."
João Aguiar
Diário de Noticias, 14 de Março de 1980
Bibliografia
-
Arrebol - 1943
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Romance - 1947
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Recado Invisivel - 1950
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Os olhos e o silêncio - 1952
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O Silêncio Quebrado - 1959
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Esta contínua saudade... - 1974
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Deixando discorrer os rios - 1980 (?)
-
Canto de Vida e de Morte - 1981
Selecção de fontes de informação: http://www.portaldofado.net/content/view/127/67/


