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Fado Alexandrino do Jaime Santos

A Rua do Desencanto

Letra:               Fernando Peres

Música:           Jaime Santos

Intérprete:       Carlos do Carmo

​​A rua do desencanto 

Maré solta sem abrigo
Tem pedras feitas de pranto

Como cumprindo um castigo
Uma vida de abandono

Começa onde quer findar
Noites e noites sem sonho

Dias sem querer acordar

 


Escuridão feita de medo

Vozes roucas de ciúme
Vão murmurando um segredo 

Como se fosse um queixume
Versos perdidos, de fado

Pobres sombras desmaiadas
Ficam juntas no pecado

Das mesmas horas paradas

 


A alma na noite morta

Na promessa dum desejo
Como parede sem porta 

Ou boca que quer um beijo
É resto de madrugada

Pedaço de rima solta
Desespero em mão fechada

Ou esperança que já não volta

Intérprete:           Carlos do Carmo
Título:                 A Rua do Desencanto

Autor da Letra:       Fernando Peres
Autor da Música:   Jaime Santos

Guitarra Portuguesa:       Jaime Santos e 

                                         Ilídio Santos

Viola de Fado:                 Orlando Silva

Viola-baixo:                      José Maria Nóbrega


 

Data da 1ª edição:  1972

Editora: "Universal"

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Pequena biografia do autor:                                                                                    

                                                                                                                                             Jaime Santos                     

Jaime Tiago dos Santos, de seu verdadeiro nome Tiago dos Santos, nasceu em 

Lisboa,na freguesia de Santa Engrácia, em 01 de Junho de 1909, tendo falecido

também em Lisboa, em 04 de Julho de 1982. Descendente de uma família com

tradições fadistas e vocação musical  ( o seu avô materno, de nome Manuel dos

Santos “O jardineiro” , tocava guitarra e cantava Fado e, um seu tio, consta que

era um excelente cantador ).

Ainda muito jovem, com cinco ou seis anos apenas, pegou numa velha guitarra,

e em acção espontânea, dedilhou as cordas do instrumento que o tornaria famoso.

Aos 12 anos, inicia-se no trabalho como aprendiz de marceneiro, altura em que

já  tocava viola, bandolim e violino. Porém, seria a viola o instrumento que, mais

o entusiasmou, e ao qual se dedicou no inicio da sua carreira de instrumentista, na qual acompanhou, entre outros, os guitarristas Bento Camacho, Fernando de Freitas, Gonçalves Dias e José Marques ( Piscalarete ) .

Um pouco às escondidas, começou a aprender a tocar guitarra! Consta, que o grande empurrão é dado pelo já referido Bento Camacho, que durante uma visita de Jaime Santos a sua casa, e como aquele se demorasse a preparar para irem trabalhar, apanha Jaime Santos a tocar a sua guitarra! Logo aí, e embora não consiga que ele largue a viola, Bento Camacho desafia-o a tocar guitarra, tarefa em que recebe a preciosa ajuda do violista Georgino de Sousa.

Casou com Ofélia, uma das filhas de Georgino de Sousa, violista de Armandinho, tendo sido este quem o incentivou a trocar a viola pela guitarra e o lançou como guitarrista, integrando-o no seu conjunto de guitarras e violas (1937/1938).

É também Georgino de Sousa, que fez com que ele passasse a ser conhecido como Jaime Santos, correspondendo à vontade que Tiago exprimia frequentemente de gostar de se chamar Jaime em vez de Tiago.

Nos dois anos seguintes, junta-se com o violista Miguel Ramos, actuando no Café Luso, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

No ano seguinte, O Retiro da Severa, onde já actuava Armandinho, contrata Jaime Santos! Logo aí se gerou uma tentativa de criar uma rivalidade entre eles! O empresário José Jorge Soreano, promove um confronto público entre os dois com honras de publicidade nos jornais! O tiro saiu-lhes pela culatra, pois ambos rejeitaram a proposta e ambos se despediram da casa onde deveria ter lugar o referido confronto, o Retiro da Severa, tendo saído de braço dado! Assim nasceu uma enorme e sólida amizade.

Em 1944, integra o Conjunto Português de Guitarras, de Martinho d' Assunção, de que também faziam parte, além deste, António Couto e Alberto Correia; em 1945 esses mesmos elementos, decidem formar o Conjunto Típico de Guitarras.

Acompanhou Amália Rodrigues ( período que com algumas interrupções, se prolongou até 1955 ), tendo participado com ela em inúmeros espectáculos quer em Portugal quer no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, França, Estados Unidos e México.

Participou no filme “Fado - História Duma Cantadeira” (1947) e ainda nas curtas-metragens de Augusto Fraga sobre temas de fados, filmadas no mesmo ano; em 1954, tem uma intervenção no filme “Les Amants du Tage” na companhia de Santos Moreira.

Fez digressões pelos antigos territórios portugueses da África e pela República da África do Sul, acompanhando Alberto Ribeiro.

Em 1960, com o violista Américo Silva, acompanhou à Holanda a artista Clara de Ovar e, em 1961, foi para Paris durante um ano, actuar na casa típica “O Fado”, de que Clara de Ovar era proprietária.

A partir de 1963, como bom marceneiro, começou a construir e a tocar os seus próprios instrumentos.

Autor das músicas de considerável número de fados ( com letras de diferentes poetas), das quais apresentaremos exemplos, Jaime Santos compôs também diversas variações,

Jaime Santos, foi dos guitarristas que nos deixou um vasto espólio da sua arte, nas imensas gravações fonográficas que nos deixou, sendo o “inventor” das "unhas postiças" , como alternativa às unhas naturais, por questões de resistência e sonoridade, tornando-se numa característica indispensável a todos os guitarristas, até aos dias de hoje.

Fonte de informação:

http://www.g-sat.net/todos-os-fados-de-a-a-z-historia-2128/fado-alfacinha-218275.html

Outras versões do mesmo Fado

O Segredo das Palavras
00:00 / 02:25

Intérprete: Ricardo Ribeiro

Letra: Rui Manuel

Nascido em Alfama, escolheu o nome artístico de Jaime Santos e este guitarrista  a quem é atribuída a invenção das unhas postiças está desde 2008 inscrito na toponímia de Lisboa, numa Rua da freguesia de Santa Clara.

Por via do Edital municipal de 3 de julho de 2008 Jaime Santos ficou na Rua 4 (arruamento projetado ao Bairro das Galinheiras), zona onde já estavam a fadista Berta Cardoso (na Rua 3) e a pintora Maluda (Rua 1) a quem Carlos Zel dedicou um fado – pelo anterior Edital de 27 de abril de 2007 -, levando como companhia no seu Edital os compositores Wenceslau Pinto  (Rua 5) e Carlos Rocha (Rua 6), este último o autor de Sempre que Lisboa canta.

Jaime Tiago dos Santos (Lisboa/01.06.1909 – 04.07.1982/Lisboa), nasceu na então freguesia de Santa Engrácia, em Alfama, e escolheu o nome artístico de Jaime Santos, sendo um popular guitarrista sobretudo nas década de quarenta e cinquenta do séc. XX e sendo-lhe atribuída a invenção das unhas postiças que permitiram maior resistência e melhor sonoridade.

Aos 12 anos era aprendiz de marceneiro mas já dava os primeiros passos na viola, bandolim e violino, em festas populares. Porém, o seu sogro Georgino de Sousa terá influenciado a trocar para a guitarra, instrumento onde teve como referência Armandinho, por quem tinha uma enorme admiração, e com o qual manteve amizade. Em 1944, foi convidado a fazer parte do Conjunto Português de Guitarras de Martinho da Assunção, de que também faziam parte António Couto (guitarra), Alberto Correia (baixo) e o próprio Martinho da Assunção (viola). Por volta de 1945 acompanhou Amália Rodrigues no início da sua carreira internacional, tanto em Portugal, como nos E.U.A. e México, até ao ano de 1955, tendo ainda participado com ela no filme O Fado (1947), assim como na produção francesa, Les Amants du Tage (1954). Além disso, protagonizou ainda com Amália uma das curta-metragens de Augusto Fraga sobre Fado, que tomou como base o famoso quadro de 1910 do pintor José Malhoa dedicado ao Fado (1948).

Jaime Santos trabalhou em conjunto com grandes nomes da poesia popular, como João Linhares Barbosa, Francisco Radamanto ou Frederico de Brito criando muitos fados clássicos, interpretados por nomes como Amália, Carlos Ramos, Carlos do Carmo, Estela Alves, Fernanda Maria,  Lucília do Carmo   e Manuel de Almeida.

A partir de 1963 começou a construir os seus próprios instrumentos e deixou uma profícua discografia de instrumentais. Foi ainda o principal guitarrista de algumas das melhores casas de fado lisboetas como a Adega Machado (de Armando Machado), a Adega Mesquita, O Faia (de Lucília do Carmo), Lisboa à Noite (de Fernanda Maria), o Luso, A Tipoia (de Adelina Ramos) ou A Toca (de Carlos Ramos).

Fonte de Informação:

A Rua do guitarrista Jaime Santos das unhas postiças | Toponímia de Lisboa

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