

Fados Tradicionais


Fado Marcha de Raúl Pinto
Eu Vivo Melhor Assim
Letra: Matos Maia
Música: Raúl Pinto
Intérprete: Cidália Moreira
Eu vivo melhor assim
Sem que tu me digas nada
Nem fales da nossa vida
Este amor há-de ter fim
E já que ando enganada
Vou pensando na partida (bis)
Dá-me só o teu carinho
Não me fales em amor
Deixa viver a verdade
Vais seguir o teu caminho
Eu fico com minha dor
E com a tua saudade (bis)
Não há ilusão perdida
E nem sequer penso em mim
Nesta vida descuidada
A saudade é mais sentida
Eu fico melhor assim
Sem que tu me digas nada (bis)
Intérprete: Cidália Moreira
Título: Eu Vivo Melhor Assim
Autor da Letra: Matos Maia
Autor da Música: Raul Pinto
Guitarra Portuguesa: Jaime Santos
Viola de Fado: José Maria Nóbrega
Data da 1ª edição: 1988
Editora: "Riso e Ritmo"
Ref. FF EP oo 25
Outras versões do mesmo Fado
Intérprete: Isabel de Oliveira
Letra: Florentino Minhós
Intérprete: Carminho
Letra: Manuela de Freitas
Intérprete: Manuela Cavaco
Letra: Teresa Albuquerque
Intérprete: Deolinda Maria
Letra: Frederico de Brito
Intérprete: Fernando Maurício
Letra: Carlos Conde
Intérprete: Fernanda Maria
Letra: Frederico de Brito



Guitarra: Álvaro Martins
Viola: Manuel Carvalho
Baixo: José Fonseca
Intérprete: Manuel Basto
Letra: Neca Rafael



Intérprete: Matilde Cid
Letra: Matilde Cid
Guitarra: José Manuel Neto
Viola: Bernardo Saldanha

Fado Marcha de Raúl Pinto
Composto pelo cantador e guitarrista Raúl Pinto
Pequena biografia da intérprete:
Cidália Moreira
Cidália do Carmo Moreira nasceu no Algarve, na cidade de Olhão. A sua infância é
preenchida por música e dança, e embora tenha perdido a mãe muito nova é por sua
influência que ganha o gosto por estas representações. Aos 17 anos de idade vem
sozinha para Lisboa na perspectiva de concretizar um dos sonhos da sua vida, dando
começo a uma carreira artística. Após ultrapassar um período mais delicado na sua vida,
Cidália Moreira estreia-se na casa típica "A Viela", ao que se segue mais tarde a sua
presença no elenco do "Restaurante Luso".
Cidália Moreira, muitas vezes apelidada de “A Cigana do Fado”, tem percorrido todo um
caminho pautado pelo sucesso. Com inúmeras gravações em formato EP, LP e CD,
revisita autores consagrados, casos de Frederico Valério em “Primeiro Amor” (Frederico
Valério/Nelson de Barros), Martinho d´Assunção em “Balada Para Uma Velhinha”
(Martinho d´Assunção/Ary dos Santos), e Moniz Pereira em “Valeu a Pena”.
É digno de registo, a participação de Cidália Moreira em vários elencos do Teatro de Revista, particularmente na década de 70, com destaque para as produções, “Até Parece Mentira” (1974) e “Alto e Pára o Baile” (1977), entre muitas outras. São também incontáveis os programas televisivos em que Cidália Moreira actuou.
Em todos os momentos de actuação Cidália Moreira revela-se uma artista singular, com um estilo de interpretação único, pautado pela garra que sempre a caracterizou. Nos palcos das principais cidades de todo o mundo, estabelece um forte elo comunicativo com as comunidades portuguesas aí residentes.
Para celebrar o primeiro aniversário do Museu do Fado, em 25 de Setembro de 1999, Cidália Moreira juntou-se a inúmeros artistas para um espectáculo de fado que decorreu no Largo do Chafariz de Dentro.
No decorrer das “Festas de Lisboa 2004”, nomeadamente no programa da “Festa do Fado”, Cidália Moreira integrou o espectáculo temático intitulado “As Grandes Testemunhas”, ao lado de Beatriz da Conceição, João Ferreira-Rosa e Vicente da Câmara, e que teve lugar no Grande Auditório do CCB, em 11 de Junho de 2004.
Numa se afastando dos grandes palcos e numa constante procura de renovação artística, em 11 de Novembro de 2006, Cidália Moreira juntou-se ao elenco do espectáculo de Fado e Flamengo “Tablao do Fado”, da Companhia de Dança Amalgama. Nesta iniciativa única, exalta-se toda a emoção das duas artes que se “fundem num cenário intimista.”
Em 2008, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Inter-cultural, e no decorrer de uma iniciativa da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, organizou-se entre os dias 11 a 18 de Outubro, a Semana Inter-cultural do Projecto Escolhas Vivias, na qual Cidália Moreira se apresentou em concerto no dia 11 de Outubro.)Presentemente é no Pátio de Alfama que descobrimos Cidália Moreira “em cuja voz transparece a dor nos fados mais sofridos, ou a brejeirice em fados mais alegres
Finalizamos esta biografia com as palavras de Carlos Albino Guerreiro, retiradas da página pessoal de Cidália Moreira: “Cidália, possivelmente alheia ao efeito teatral da sua voz, não se veste com fantasias. Tenta fazer uma história. A história do fado que se recusa a ser infeliz por um preço qualquer.”
Fonte de informação:
http://www.cidaliamoreira.com/
Última actualização: Setembro/2009
Cidália Moreira é forte e frágil ao mesmo tempo. O olhar é bravo e comove-se: não é teatro onde a simulação tem o seu valor.
O fado, queiram ou não, tornou-se um dos símbolos vivos da língua: saudosista de primeira, rebelde acima de todas as suspeitas, história em pacto de intimidade com quase tudo o que é comtemporâneo. Ao longo do tempo não faltaram tentativas de lhe atribuir parentescos, descobrir-lhe intenções, ou mesmo dar-lhe um corpo - Maria da Glória ou Glória Maria. Cada um vê o fado à sua imagem e semelhança.
Quando Cidália Moreira tomou o lugar entre fios e microfones e, com uma voz meridional, começou a trabalhar como suas as palavras do fado, aquelas caras da noite que assistiam recapitularam todas as perguntas possíveis. Para uns o fado é uma ”força cósmica universal”. Será? ou antes, uma espécie de antropofagia’? Será? Para outros, um pouco de grito a que a minoria lusitana terá direito. De vez em quando era quase necessário que Cidália parasse para alguém dizer: é isso mesmo.
Cidália Moreira é forte e frágil ao mesmo tempo. O olhar é bravo e comove-se: não é teatro onde a simulação tem o seu valor. E as mãos são transparentes e acompanham como ferro uma voz que não é claustro: sente intensamente o mundo presente.
Tenta agarrar outras palavras quando estas a tentaram para formas de sentimentalidade. O fado de Cidália deixa bem claro, que é falsa a reputação de distância que cerca o fado. Será então, o fado, um serviço público?
É enquanto gerava fado nos poemas de Vasco Lima Couto e de José Carlos Ary dos Santos, alguém se lembrou que fazer fado é uma forma de confissão, de nudez e se não for assim, será brincadeira ou mistificação. E porque não Camões ou Carlos Drummond de Andrade? O fado a prestar um serviço: deselitizar a poesia, pôr a língua na civilidade. Castiço é isto.
Vêem alguns no fadista um profeta visionário a relembrar a face menos nítida e menos real de um país que não existe. Não vi Cidália a desgastar-se nisso. O que fez Cidália? Procura textos que digam alguma coisa ligada à vida de todos os dias? Cantigas de amigo? Foram umas longas horas de teste definitivo.
A provar que a poesia pode estar no dia-a-dia. Num exercício solitário de fado. E mesmo quando se discorda do texto, Cidália transforma o fado numa adivinha: trabalha cada palavra como se cada palavra estivesse desligada dos que a ouviam.
Forma umas longas horas com um fado que vai percorrer o purgatório das interpretações num país onde a educação poética e musical foi sempre moldada por padrões estrangeiros. Por isso, menospreza-se a categoria dos clássicos do fado. a não ser que fique arrumadinha na prateleira folclórica dos costumes vocais nativos.
Todavia, a força manifestada por esta algarvia levanta questões e problemas cruciais à prática cultural no Portugal de hoje. Por exemplo: o dilema dos que hesitam entre cantar para o povo e não apenas sobre ele. É evidente que não compete ao fadista tentar sistematizar o estudo do carácter nacional a partir do ”português” revelado no folclore, na mitologia e na tradição.
Esta tarefa competirá aos que não receiam ser vítimas conscientes das contradições do sistema. Deste ou daquele sistema, é da teoria. Ao fadista compete reflectir deliberadamente um estilo, de vivência ou de narrativa. Cidália criou um estilo tanto mais forte quanto o texto é fruto de uma imaginação fértil.
E um estilo que sofistifica o verso. Um estilo que provou, ao longo de horas, que o fado não é para iniciados. É para ser ouvido pelos que o próprio fado retrata. O valor permanente do fado está nessa sua pretensão: a aspiração do fadista que se dispõe a expressar o seu país em palavras e não apenas a entendê-lo. Nesse sentido, o fado é parte de uma luta entre a cultura oral e a cultura escrita. Não existe sem oralidade e não fica limitado a um público restrito. E a nostalgia vem desta identificação...
O fado que fez Cidália aponta para tudo menos para o que tem sido entendido como ”essencialmente destruidor” e não se circunscreve no que tem sido descrito como ”uma vasta ilusão”. Nem sequer para uma ”orgia intelectual”. O que se ouviu de Cidália, pela forma como se ouviu, é um antindividualismo dirigido voluntarioso, para não dizer implacável.
Provou ao longo de horas que o fado tem, neste país, o elementar direito permanente à pesquisa estética, à actualização da inteligência artística portuguesa e à estabilização de uma consciência criadora nacional. Uma prova destas é uma conquista muito mais importante do que a sensualidade oral já conseguida para o fado, por exemplo, por Amália Rodrigues, e mais importante do que os cantares do submundo português dos anos 40 e 50 a lembrar as esperanças que restavam no crepúsculo do arbítrio.
Cidália, possivelmente alheia ao efeito teatral da sua voz, não se veste com fantasias. Tenta fazer uma história. A história do fado que se recusa a ser infeliz por um preço qualquer.
Carlos Albino Guerreiro
Fonte de informação:
Portal do Fado - Cidália Moreira



Guitarras: Carlos Gonçalves e António Chaínho
Viola: José Maria Nóbrega
Baixo: Raúl Silva
Intérprete: Natalino Duarte
Letra: Francisco Radamanto



Guitarras: Francisco Carvalhinho e António Chaínho
Viola: Pais da Silva
Baixo: José Maria Nóbrega
Intérprete: Quinita Gomes
Letra: João da Mata