

Fados Tradicionais


Homens de Amanhã
Letra: Frutuoso França
Música: Joaquim Campos
Intérprete: Frutuoso França
Passava à minha rua, manhã de todos dias
Um lindo garotito, maroto e bem traquina
Passava a assobiar, expandindo alegrias
Mas ia pró trabalho cumprir a sua sina
Tinha então doze anos, ainda por fazer
Mas meteu-se em cabeça, também de namorar
Então todos os dias, p’ra ela lhe aparecer
Passava à minha rua, pondo-se a assobiar
A namorada era uma rosita a abrir
Mas linda como os anjos de rosto meigo e brando
E eu um dia que os vi, perguntei-lhes a rir
Se não tinham vergonha de estarem namorando
Senhor, eu já trabalho e tenho amarga lida
E cumpro o meu dever perante a minha mãe
Sou novo bem o sei, mas ganho a minha vida
E aprendo ao mesmo tempo a namorar também
Vou terminar dizendo quero ter uma casinha
Onde caiba o amor e a pura lei cristã
Eu fiquei a pensar e lá foi à vidinha
O mais bonito exemplo dos homens de amanhã (bis)
Intérprete: Frutuoso França
Título: Homens de Amanhã
Autor da Letra: Frutuoso França
Autor da Música: Joaquim Campos
Guitarra Portuguesa: António Chaínho e Armindo Fernandes
Viola de Fado: José Maria Nóbrega
Viola-baixo: Pedro Nóbrega
Data da 1ª edição: 1976
Editora: "Alvorada"
Ref. EP 60 1574
Outras versões do mesmo Fado
Intérprete: Vítor Miranda
Letra: Artur Ribeiro
Fado Alexandrino do Joaquim Campos
Fado em modo menor, que como todos os fados Alexandrinos, assim chamados em homenagem ao poeta francês Alexandre Berné, tem como característica ser cantado com versos em quadras de 12 sílabas, e com a particularidade do cantador se antecipar ligeiramente à música! Os fados Alexandrinos, são considerados fados da 1ª geração ou, como diz o "expert" na matéria Dr. Nuno de Siqueira, da 1ª geração e 1/2...!
Chama-se assim, dado que adquiriu o nome do seu autor, o grande fadista, por muitos considerado o melhor de sempre, Joaquim Campos, de seu nome completo, Joaquim Campos da Silva!
Pequena biografia do autor:
Joaquim Campos da Silva
Joaquim Campos da Silva, nasceu em Lisboa, na Fonte Santa, em 1911, tendo
falecido em Mem Martins ( Sintra ), em 1981.
Era filho de Joaquim Maria da Silva e de Maria Campos
Aos 16 anos, empregou-se na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses
- CP, como escriturário, lugar em que permaneceu até à reforma, sem todavia
deixar de cantar o Fado, que foi a grande paixão da sua vida.
Ainda criança, passou a viver em Alfama, onde se iniciou a cantar o Fado.
Foi, no entanto, em Setúbal, que se apresentou em público pela primeira vez, em
1923, com 12 anos de idade, cantando uma letra que adquirira num quiosque do
Rossio, onde se vendiam folhetos com cantigas de poetas populares.
Participou em inúmeras festas de caridade, andou por retiros e esperas de toiros e,
com Alberto Costa, foi um dos fundadores, em 1923, do Grémio Artístico Amigos do Fado, apologista de uma dignificação do Fado, pela sua interpretação em salões, em detrimento dos tradicionais retiros e tabernas.
Joaquim Campos fez a sua estreia na “Cervejaria Boémia” no ano de 1927.Também em 1927 a “Guitarra de Portugal” noticiava: “Cantou numa festa humanitária realizada a 27 de Setembro de 1927 (Domingo) no recinto da verbena do Orfanato Ferroviário da CP, em favor de "um pobre proletário a quem as vicissitudes da vida atiraram para a desgraça deixando sem amparo uma numerosa prole".Em Dezembro de 1933 vivia com a cantadeira Rosa Maria.Participou numa audição de fados no Forte de Monsanto, no dia de Outubro de 1934, «1ª festa que da grande série que este jornal está empenhado em realizar em estabelecimentos prisionais e hospitalares»,conjuntamente com Maria Cármen, Rosa Maria, Júlio Proença, Joaquim Seabra, Júlio Correia e António Sobral (cf. Guitarra de Portugal de 14 de Novembro de 1934)
Em 1937, é exaltado como a melhor voz dos últimos 20 anos, juntando ainda o facto de dizer primorosamente os versos que interpretava, impregnando-os de sentimento: - Chamaram-lhe o Bruxo do Fado, devido à sua marcante personalidade e estilo pessoal, aliada a um fino sentido musical a que não terá sido alheio o convívio em jovem com Luís Carlos da Silva ( Petrolino ); por isso foi, considerado por muitos, o maior cantador da sua geração.
Joaquim Campos tomou parte da festa de homenagem aos tocadores Júlio Correia (guitarra) e António Sobral (viola) no dia 4 de Novembro de 1934 levada a cabo por um grupo de sócios do Grémio Recreativo-Amadores do Fado. (cf. “Guitarra de Portugal” de 14 de Novembro de 1934).Foi também possível vê-lo cantar em festas de beneficência, em retiros e esperas de touros. Participou,juntamente com Maria do Carmo, Alberto Costa, Júlio Proença e Raul Seia, numa digressão por todo o Algarve, com grande êxito. A sua projecção e sucesso levam-no ao Coliseu dos Recreios, ao Éden-Teatro,Maria Vitória, Apolo e aos ambientes da época: “Solar da Alegria”, “Retiro da Severa”, no “Café Luso” e“Café Mondego”.Considerado na época como uma das melhores vozes de fado, Joaquim Campos foi também compositor,com registo para os seguintes temas: “Fado Vitória”, “Fado Tango”, “Fado Rosita”, entre outros.É de sua autoria a música do fado Povo que Lavas no Rio, com letra de Pedro Homem de Mello, celebrizado por Amália Rodrigues.
Actuou no Coliseu dos Recreios, Teatros Éden, Maria Vitória e Apolo, Solar da Alegria, Retiro da Severa e nos Cafés Luso e Mondego.
Efectuou diversas digressões, das quais se destacou aquela, em que na companhia de Maria do Carmo, Alberto Costa, Júlio Proença e Raul Seia, percorreu todo o Algarve.
São de sua autoria, temas essenciais do reportório de Fado clássico, ainda hoje profusamente utilizado, como são o caso dos Fados Vitória, Tango, Rosita, Estela, Castanheira, Amora, Olivais, Simples, Amadores, Camélia e Contraste, entre outros.
As suas composições, celebrizaram os versos de alguns poetas populares com os quais trabalhou mais de perto, tais como Fernando Teles, Manuel Soares, João Linhares Barbosa e Gabriel de Oliveira.
Da sua obra discográfica, assumem especial interesse as desgarradas com Ercília Costa e Júlio Proença.
Foi companheiro da cantadeira Rosa Maria, até à morte prematura desta.
Faleceu em 1981.
Fontes de informação:
“Guitarra de Portugal”, 24 de Setembro de 1927;
“Guitarra de Portugal” de 22 de Dezembro de 1933;
“Guitarra de Portugal” de 14 de Novembro de 1934;
Machado, A. Victor (1937) “Ídolos do Fado”, Lisboa, Tipografia Gonçalves.
Última actualização: Maio/2008

Intérprete: Amália Rodrigues
Letra: António Sousa Freitas
Intérprete: Vítor Miranda
Letra: António Mendes



Guitarras: Manuel Mendes e João Alberto
Viola: Carlos Duarte
Baixo: Vítor Ferreira
Intérprete: Natalino Duarte
Letra: Fernando Peres
Intérprete: Chico Zé
Letra: Domingos Gonçalves da Costa



Intérprete: Cidália Maria
Letra: Artur Ribeiro
Guitarras: António Chainho e José Luís Nobre Costa
Viola: José Maria Nóbrega
Baixo: Raúl Silva