

Fados Tradicionais


Fado Lenitivo
Lenitivo
Letra: Fernanda Santos
Música: Helena Moreira Viana
Intérprete : Maria do Rosário Bettencourt
Desdenharam-me bem sei
Quando um dia comecei
A cantar dorida o fado
Não sabiam o motivo
É que o fado é lenitivo
Do coração torturado (bis)
Ao ver todas perdidas
Das minhas esperanças mais queridas
Senti que fui talvez pisada
E era doce companhia
Para a minha melancolia
O chorar de uma guitarra (bis)
Amarguras e cansaço
Na minha dor em pedaços
Eu vou esquecendo a cantar
E nos queixumes do fado
Já nem sei se é um trinado
Se a minha alma a soluçar (bis)
Sei que me ouves lamentando
As mágoas que eu vou cantando
Só tu podes entender
O meu canto dedicar-te
Uma dor que se reparte
Não custa tanto a sofrer (bis)
Intérprete: Maria do Rosário Bettencourt
Título: Lenitivo
Autor da Letra: Fernanda Santos
Autor da Música: Helena Moreira Viana
Guitarra Portuguesa: Raul Nery e
José Fontes Rocha
Viola de Fado: Júlio Gomes
Viola-baixo: Joel Pina
Data da 1ª edição: 1966
Editora: "Rádio Triunfo"
Ref. Alvorada AEP 60 778

Fado Lenitivo
Composto por Helena Moreira Viana
Este Fado deve o seu nome à primeira letra nele cantada, exemplo em apreço.
Pequena biografia da intérprete:
Maria do Rosário Bettencourt
Nascida no seio de uma família de artistas, Maria do Rosário Bettencourt sentiu cedo
o apelo desta vivência familiar, ainda que, tenha optado por tirar um curso de
secretariado.
Apesar de ser muito raro ouvir-se Fado na casa dos seus pais, algo a despertou para
o género. Um dia resolve, por iniciativa própria, dirigir-se à Emissora Nacional dizendo
que queria cantar. Foi logo recebida e convidada a interpretar o Fado "Vila Franca".
No entanto não acontecesse o percurso desejado e passam alguns meses até que
Maria do Rosário Bettencourt volte à Emissora Nacional onde se estreia com 19 anos,
ao lado de Fernando Farinha. Aqui, participa nos programas de estúdio, nos Serões
para Trabalhadores e outros promovidos quer pela Emissora, quer pela televisão
portuguesa. Maria do Rosário passou também pelo circuito das casas de Fado,
destacando-se o "Arreda" em Cascais, a convite do José Pracana, o "Cota D´Armas" e em 1981 integra o elenco da "Taverna do Embuçado" onde esteve a cantar durante dois anos, entre até 1983. Gravou pelas principais etiquetas; Valentim de Carvalho e Alvorada e diz ter sido acompanhada pelos melhores instrumentistas, tais como Raul Nery, Fontes Rocha, Joel Pina, António Chaínho, José Maria Nóbrega, Raul Silva, José Pracana, entre outros. Maria do Rosário optou sempre por cuidada escolha de repertório e de poemas: Maria Manuel Cid, Lima Brumon, Fernando Pessoa, Camões, Bernardo Torres, são algumas das suas referências. Em 1974 participa no filme de Fernando Matos Silva, "O Mal Amado", contracenando ao lado de João Mota e de Maria do Céu Guerra. Maria do Rosário Bettencourt lamenta o afastamento a que foi sujeita após o período do 25 de Abril: "...fiz programas de exterior porque de resto, coisas de estúdio nunca mais fiz..(...)..passavam-me na rádio e só". Ao casar-se Maria do Rosário fixa residência em Torres Vedras, razão pela qual se mantêm mais afastada da "dinâmica fadista", ainda que viva o sonho de voltar a gravar.
Fonte de informação:
Museu do Fado - Entrevista realizada em 26 de Fevereiro de 2007.
Última actualização: Janeiro/2008
Outras versões do mesmo Fado
Intérprete: Tânia Oleiro
Letra: Fernanda Santos