

Fados Tradicionais


Fado Dois Tons
Conta Errada
Letra: Jorge Rocha
Música: Alberto Costa
Intérprete: Mariana Silva
Contei que tu aparecesses
E nas contas que deitei (bis)
Contando que tu viesses
Com teus carinhos, contei (bis)
Contei as horas daquela
Ânsia louca de te ver (bis)
E fui contar para a janela
Contando ver-te aparecer (bis)
Contei as estrelas do céu
Contei as pedras da rua (bis)
E mil sombras contei eu
Até encontrar a sombra tua (bis)
Contei-as de ponta a ponta
As contas do meu colar (bis)
E a contar não dei com a conta
De ver a manhã chegar (bis)
Sempre contei que tu desses
Conta da falta que achei (bis)
Pois que tu não apareceste
Confesso que não contei (bis)
Intérprete: Mariana Silva
Título: Conta Errada
Autor da Letra: Jorge Rocha
Autor da Música: Alberto Costa
Guitarra Portuguesa: Trio de guitarras de Jorge Fontes
Data da 1ª edição: 1964
Editora: "Arnaldo Trindade"
Ref. Orfeu ATEP 6092
Fado Dois Tons
Composto pelo cantador Alberto Costa (1898 - 1987)
Pequena biografia do autor:
Alberto Simões da Costa
Alberto Simões da Costa nasceu em Torres do Mondego, freguesia do concelho de
Coimbra, a 8 de Junho de 1898. Era ainda muito jovem quando a família se mudou
para Lisboa, fixando-se no bairro de Alfama. O seu fascínio pelo fado surgiu muito
cedo e, com apenas 11 anos, cantava para professores e colegas da escola. Em
1914 começa a cantar em público, fazendo actuações em colectividades,
sociedades recreativas e festas de beneficência, palcos que fizeram de Alberto
Costa uma das mais carismáticas figuras no género.
A par das actuações, Alberto Costa foi empregado de comércio mas, ao lado de
grandes nomes do universo fadista, como Berta Cardoso, Ercília Costa, Joaquim
Campos ou Alfredo Marceneiro, pertenceu a uma geração “que se vai afirmando ao
longo da década de 1920 e inícios da de 30, e que face às oportunidades alargadas de apresentação pública e às condições atractivas de remuneração oferecidas pelo novo mercado tenderá a optar maioritariamente pela profissionalização (Nery (2004): 182).
Na sua edição de 22 de Abril 1923, o jornal “Canção do Sul”, apresenta Alberto Costa na capa da publicação, não poupando elogios às suas interpretações em festas de beneficência. Afirma-se que “Alberto Costa é um cantador de fado por excelência. Reúne a uma bela dicção uma voz impregnada do mais puro sentimento e isso tem feito dele um dos cantadores mais preferidos”.
O nascimento do Grémio Artístico dos Amigos do Fado, no bairro da Graça, deve-se também a Alberto Costa. Em entrevista ao jornal “Guitarra de Portugal”, o fadista afirma que o Grémio não quer a associação do Fado às tabernas, diz: “nós cantamo-lo sempre em partes que o dignifiquem, mas se um dia o cantarmos na taberna é para arrancar de lá os que o comprometem” (“Guitarra de Portugal”, 5 de Maio de 1923).
Alberto Costa tinha ideias muito definidas para a forma como os espaços de Fado deveriam ser, de forma a dignificarem o género e os seus intérpretes. Estas preocupações reflectem-se quando, em 1927, Alberto Costa se estreia como cantador profissional no Ferro de Engomar. Este velho retiro, sob a sua gerência artística, transformou-se num espaço de Fado com elenco fixo, frequentado por um público de classe média; uma primeira abordagem ao que viria a ser o ideal da “casa de Fado”, concretizada pela primeira vez em 1928, no Solar da Alegria, novamente com a gerência artística do fadista.
No seu percurso profissional registam-se, também, actuações no Retiro da Severa e no Café Mondego, bem como em teatros e casas aristocráticas.
Alberto Costa foi um dos primeiros artistas portugueses com edições discográficas. Em 1926 grava para a Valentim de Carvalho, a representante da Odeon em Portugal, a par de outros grandes nomes como Adelina Fernandes, Estêvão Amarante e Armandinho. As suas interpretações dos Fados “Lopes”, “Lés a Lés”, “Sem Pernas”, “Serrano” ou “Senhora da Saúde” foram sempre sinónimos de qualidade para o universo fadista.
Em 1930, Alberto Costa junta-se aos fadistas Alfredo Marceneiro, Ercília Costa, Rosa Costa; e aos instrumentistas João Fernandes e Santos Moreira, para formar a “Troupe Guitarra de Portugal”, um grupo artístico de reconhecido valor e com o qual o fadista efectuou numerosos espectáculos e digressões.
A sua primeira festa artística tem lugar na Academia Recreativa de Lisboa, na freguesia do Socorro, a 9 de Junho de 1932, organizada por um grupo de amigos do cantador e patrocinada pelo jornal “Guitarra de Portugal”.
Quatro anos mais tarde, a 14 de Abril de 1936, realiza-se mais uma festa artística, desta vez no Cinema Odeon. Um espectáculo dirigido por Joaquim Frederico de Brito que homenageia simultaneamente os fadistas Alberto Costa e Júlio Proença.
Em conjunto com outros intérpretes do elenco do Retiro da Severa, desloca-se em digressão pelo Norte do país, no final da década de 1930. O grupo, constituído por: Manuel Monteiro, Alberto Costa, Adelina Ramos, Maria do Carmo Torres e Maria Emília Ferreira, foi recebido com êxito estrondoso no Teatro Sá da Bandeira, no Porto.
Em 1937, registava Vítor Machado que o fadista “em digressões organizadas por si e em sociedade artística” tinha percorrido o Alentejo, o Algarve a Estremadura e que tinha recusado convites para ir ao Brasil, a África, a Paris, a Espanha e às ilhas portuguesas (Vítor Machado (1937): 45).
Depois de abandonar a vida artística, em 1939, Alberto Costa fixou-se em Silves onde abriu o Café “A Paulistana”. Apesar do afastamento da carreira artística actua na festa de homenagem a Alfredo Marceneiro, no Teatro São Luís a 25 de Maio de 1963.
Alberto Costa faleceu em Silves em Outubro de 1987.
Lamentavelmente Alberto Costa é uma figura pouco lembrada nas reedições discográficas, mas deixou na história do Fado a composição de alguns fados tradicionais. São da sua autoria as músicas do “Fado Bragança”, do “Fado Dois Tons” e do “Fado Torres do Mondego”, continuamente celebrizadas em interpretações de inúmeros fadistas de referência, de que são exemplo Carlos do Carmo (no tema “Não se morre de saudade”, um poema de Júlio de Sousa cantado no “Fado Dois tons”), Carlos Zel (no tema “Quando o peito tem saudade”, um poema de Maria Manuel Cid interpretado no “Fado Bragança”) ou, ainda, Kátia Guerreiro (no tema “Muda tudo até o mundo”, com poema de Maria Luísa Baptista para o “Fado Torres do Mondego”).
Fontes de informação:
“Canção do Sul”, 22 de Abril de 1923;
“Guitarra de Portugal”, 5 de Maio de 1923;
“Guitarra de Portugal”, 17 de Setembro de 1930;
“Guitarra de Portugal”, 18 de Junho de 1932;
“Guitarra de Portugal”, 4 de Julho de 1932;
“Guitarra de Portugal”, 4 de Abril de 1936;
“Guitarra de Portugal”, 25 de Fevereiro de 1939;
Machado, A. Victor (1937) “Ídolos do Fado”, Lisboa, Tipografia Gonçalves;
Guinot, M.; Carvalho, R.; Osório, J. M. (1999), “Histórias do Fado”, Lisboa, Ediclube;
Nery, Rui Vieira (2004), “Para uma História do Fado”, Lisboa, Pùblico/Corda Seca.
Última actualização: Janeiro de 2009

Outras versões do mesmo Fado
Intérprete: Adelina Ramos
Letra: Adriano dos Reis
Intérprete: Ercília Costa
Letra: ?
Intérprete: Deolinda Maria
Letra: Maria Lavínia



Guitarra: Jaime Tiago dos Santos
Viola: Martinho d'Assunção
Baixo: Liberto Conde
Intérprete: Fernanda Maria
Letra: Maria Lavínia
Intérprete: Manuel de Almeida
Letra: António Botto
Intérprete: Fernanda Maria
Letra: Frederico de Brito



Intérprete: Maria Alice
Letra: Carlos Conde
UM DOS MAIORES ÊXITOS DE MARIA ALICE!
Esta gravação data de 1929 e pertence à Face A do disco de 78 R.P.M. editado pela marca "Brunswick", etiqueta da "Valentim de Carvalho", intitulado "Maria Alice - Esse Olhar Dá-me Tristeza", em que a cantadeira soprano Maria Alice, conhecida vedeta da rádio, acompanhada à guitarra por Carlos da Maia, e à viola por Abel Negrão, interpreta duas canções do seu reportório. Este é o já conhecido e popular “Fado Dois Tons”, cuja autoria é agora considerada desconhecida. Inicialmente a autoria desta célebre composição era reconhecida como sendo da autoria de Alberto Costa, mas certas e determinadas editoras discográficas, sabe-se lá porquê, afirmaram essa canção como popular. Hoje, a autoria do “Fado Dois Tons” é considerada como um fado de autoria desconhecida, e mesmo com o facto do Museu do Fado ter afirmado definitivamente a autoria deste fado como sendo de Alberto Costa, os fascistóides e facciosos da canção nacional desmentiram logo a informação, e desacreditaram imediatamente o Museu, com esta frase: existem muitos erros imperdoáveis no Museu do Fado.
Conclusão: por este andar, ninguém saberá quem é o verdadeiro autor do “Fado Dois Tons”, pelo que agora, a canção passa a ser de autoria desconhecida. Aqui, o “Fado Dois Tons” é interpretado por Maria Alice, com quadras de Carlos Conde, nomeadas de “Esse Olhar Dá-me Tristeza”. Tratam-se de quadras amorosas que se tornaram muito célebres na época, transformando esta canção num dos maiores sucessos de Maria Alice, sendo presença diária nas rádios portuguesas, com destaque para a CT1AA Estação Rádio de Lisboa, CT1BO Rádio Hertziana, Rádio Clube Português e Emissora Nacional, estação que passou esta canção da Maria Alice durante anos seguidos.
Mais tarde, em 1977, esta gravação foi editada em vinil na Banda 4 da Face A do disco LP de 33 R.P.M. editado pela "EMI-Valentim de Carvalho", intitulado "Maria Alice - Fados dos Anos 20 e 30", compilação de várias gravações de Maria Alice editado para a celebração dos 100 anos da gravação sonora.
Anos mais tarde, em 2007, esta gravação foi restaurada e remasterizada por Hugo Ribeiro, técnico de som da "Valentim de Carvalho", e editada pela 1ª vez em CD, na compilação "Arquivos do Fado - Maria Alice, editada em conjunto pela "Farol", pela "Valentim de Carvalho" e pela "Tradisom". Mais um grande êxito de Maria Alice, que nos dias de hoje, recebe a mais grande e mais significativa impopularidade